Um pouco de sua história

Esta raça pertence à família dos grandes cães brancos da Europa Central, de origem de guardiães de manadas e rebanhos com um temperamento desconfiado e até mesmo hostil, que chegou à Itália vinda do Oriente Médio. Essa origem supõe ancestrais comuns com os cães de montanha dos Pireneus, os Kuvasz húngaros, os Tatras da Polônica, os Cuvacs eslovacos, os pastores ilíricos de Kosovo e Macedônia (embora com pelagem colorida) e os pastores da Anatólia turcos. Citado e elogiado por escritores desde o século III a. C., esse cão pastor de pelagem branca continuou a desempenhar suas funções como guardião de rebanhos sem perturbações ao longo dos séculos, sem nunca deixar os Apeninos centrais e meridionais, onde havia constituído sua própria espécie, conforme vários registros escritos e iconográficos testemunham. Em 1898, foram registrados no Libro das Origens, do Kennel Club Italiano, quatro cães pastores. Em 1924, Luigi Groppi e Giuseppe Solaro esboçaram o primeiro padrão da raça.

 

 

Até 1958, o pastor abruzês e o pastor maremano eram considerados duas raças distintas e separadas. Precisamente em 1950, foi fundada uma associação de criadores de pastor abruzês, e em 1953 nasceu uma associação para os criadores do pastor maremano. Em 1º. de janeiro de 1958, a Entidade Nacional de Cinofilia Italiana unificou as duas raças sob um único padrão, sustentando que, devido à migração dos rebanhos de uma região para outra, processo favorecido pela unificação da Itália, ocorreu uma ‘fusão natural’ entre os dois tipos de cães. A região de Maremma é uma área geográfica da Itália que faz fronteira com a Ligúria até o Mar Tirreno. Ela compreende parte do sudoeste da Toscana – Maremma Livornese e Maremma Grossetana – e parte do norte do Lácio. Atualmente, o pastor maremano abruzês é ainda largamente utilizado na proteção dos rebanhos de ataques de lobos. Para esse fim, foram criados projetos, entre os quais o da Região do Piemonte, que prevê a atribuição de espécimes bem adestrados aos pastores que os solicitam. Ao mesmo tempo, essas iniciativas visam reduzir a caça por predadores contra espécies ameaçadas de extinção.

 

 

Descrição física e temperamental

O maremano abruzês tem a cauda presa baixa e que se estende para além do jarrete, estando quase sempre inclinada (se o cão está em repouso), mas ele a sustenta ereta, na linha do dorso, quando o cão está em alerta ou excitado. O branco uniforme é a cor que o distingue. Toleram-se os tons de marfim ou laranja pálido, desde que discretos. A pelagem é muito abundante, longa, bastante áspera ao toque. Uma leve ondulação é tolerada. O subpelo é abundante durante a estação fria. Os olhos não são grandes em relação ao tamanho do cão, tendo coloração ocre ou castanho escuro, com a rima palpebral (espaço entre as pálpebras) amendoada. As orelhas pendem do alto da cabeça, em forma de “V”, mas têm muita mobilidade. A cabeça é grande e achatada, de forma cônica, lembrando a cabeça de um urso branco. O crânio é largo. Não é incomum encontrar amostras que excedam em muito a altura e o peso definidos pelo padrão, que são: altura das patas à cernelha do macho:  65 a 73 cm; e da fêmea: 60 a 68 cm; peso ideal do macho: 35 a 45 kg; e da fêmea: 30 a 40 kg. Como  testemunhado pelo escritor romano Columela no primeiro século, a pelagem branca desses é apreciada desde os tempos antigos, pois evita que os pastores confundam o cão com um dos predadores durante os ataques de lobos ao entardecer. Alguns anos depois, o filósofo Varrão acrescentou que o cão pastor é grande, branco, com olhos e lábios pretos, e que, quando vistos no escuro, as orelhas cortadas o fazem parecer um leão. É um cão com um temperamento muito forte, confiante e independente, como a maioria dos cães de trabalho. E, como cão pastor, ele mostra um apego profundo ao dono, a quem ele vê como ponto de referência. Parece ser tímido e desconfiado para com estranhos, embora não expresse uma disposição excessivamente agressiva: uma característica da raça é a de se apresentar como um animal com um comportamento sóbrio e basicamente mais comedido do que o de outros cães. É também um cão que presta muita atenção aos detalhes e ao ambiente circundante.

 

 

Cuidados e Precauções

O pastor maremano abruzês é historicamente um cão muito rústico, capaz de resistir a doenças, frio e mau tempo. Apesar do seu tamanho, não é incomum encontrar cães desta raça com mais de 10 anos de idade, graças à sua resistência natural. Ele não requer cuidados especiais, mas por ter pelos longos, necessita de escovação esporádica da pelagem e, por estar sujeito a parasitas, necessita de controle habitual antiparasitário. Os criadores afirmam que esse cão precisa de treinamento especial, muito mais atencioso do que com outras raças, com base em uma pedagogia canina feita mais de interações entre homem e animal do que coerção física e verbal. Esse aspecto pode tornar a relação com o cão cansativa, mas ao mesmo tempo pode ser um parâmetro para testar a sua inteligência. Os maremanos abruzeses respondem mais a comandos de chamamento (verbais) do que com ações (gestuais). Comparada com outras raças, que percebem a figura humana no comando como dominante, esta possui um temperamento mais independente, razão pela qual sua educação requer um maior comprometimento do homem: isso também se deve à seleção artificial secular que moldou a genética comportamental do animal, concentrando-se mais no desempenho de tarefas de guarda e defesa e menos no contato com seres humanos, além de se adaptar a um ambiente em que indivíduos estrangeiros são percebidos como intrusos ou perigosos. É por isso que pode ser difícil estabelecer um relacionamento hierárquico por parte do mestre humano. No entanto, isso não implica que esta raça de cão não seja muito adequada como animal de companhia; o pastor maremano abruzês, de fato, embora se mostre alheio à submissão, se bem educado e bem inserido no contexto familiar, consegue estabelecer um relacionamento emocional intenso e um entendimento muito profundo com seus “comandantes”.

 

 

Difusão da raça

A área de maior difusão desta raça é bastante vasta: de fato, vai da província de Grosseto (até o alto Lácio, passando pela Úmbria, pela região de Marches, por toda a região de Abruzzo, pela região de Molise, pelos Apeninos da Campânia e pelo norte da Apúlia. Em 2008, 658 filhotes foram matriculados nos livros genealógicos da Entidade Nacional de Cinofilia Italiana, enquanto em 2010 houve 710 novos registros. Esse aumento continuou nos anos seguintes, a ponto de que em 2013 os filhotes matriculados na Entidade Nacional de Cinofilia Italiana se tornassem 801 e, em 2015, o número subisse para 1019. Além da península italiana, os cães pastores maremanos abruzeses também são usados como guardiães de rebanho na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos. Em 2006, em Warrnambool, na Austrália, foi iniciada a primeira experiência de proteção de pinguins contra ataques de raposas, usando cães pastores maremanos abruzeses. Em 2010, este projeto foi premiado com o Prêmio a Cuidados Assistenciais do Governo Australiano.


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