Informação inicial sobre a SARS e um teste positivo em um cão

Há uma classificação que é utilizada pelos médicos conhecida por CID, sigla que significa Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde.

A atual é a revisão número 10, por isso a lista é conhecida como CID-10. Cada doença ou problema relacionado com a saúde tem um código na CID-10. O que está intimamente ligado ao coronavírus tem o código U04, que é o da síndrome respiratória aguda grave (ou Severeacuterespiratorysyndrome – ou SARS, sigla, essa sim, formada pelas primeiras letras do nome em inglês).

Não há nada divulgado a esse respeito, mas tecnicamente a SARS-CoV-2, não é uma doença cardíaca, mas sim uma síndrome, comum a muitas doenças (cardíacas ou não). A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas clínicos que um paciente pode apresentar em determinadas doenças, ou em circunstâncias clínicas que não são necessariamente patológicas.

Isso é necessário esclarecer porque em Honk Kong, houve no início de março de 2020 um comunicado à imprensa sobre um cão que teria obtido resposta positiva a um teste para o COVID-19, que é o nome do coronavírus, após uma exposição próxima a seus proprietários que tinham sido infectados por ele. Mesmo a presença de material genético do vírus COVID-19 demonstrada nesse cão, que foram apenas uns respingos de material proveniente de um espirro, ele não apresentou nenhum sinal clínico de nenhuma doença – como se explicou acima, uma síndrome pode apresentar sinais em circunstâncias que não sejam necessariamente patológicas.

 

Coronavírus: o que são?

Voltando um pouco ao coronavírus. A sigla usada para ele é CoV. Os coronavírus são uma grande família viral, e eles já são conhecidos desde meados da década de 1960. Eles causam infecções respiratórias em seres humanos e em outros animais. Em geral, as infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, as quais se assemelham a um resfriado comum. A maioria dos humanos é infectado por coronavírus comuns ao longo de sua existência, sendo que as crianças pequenas são mais propensas a se infectarem.

Há coronavírus que podem provocar síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS. A SARS é causada pelo coronavírus associado à SARS, daí haver o uso das duas siglas combinadas: SARS-CoV

A atual síndrome é a SARS-Cov-2, porque é a segunda ocorrência na China. E por que o nome COVID-19? É mais uma sigla, também em inglês: “Coronavirus Disease-2019” [doença por coronavírus de 2019], já que os três primeiros casos foram identificados na cidade chinesa de Wuhan em dezembro de 2019. Apenas para especificar o vírus atual, vamos chamá-lo de COVID-19.

 

Como se manifestam clinicamente em humanos os coronavírus?

Os coronavírus humanos comuns causam infecções respiratórias brandas a moderadas de curta duração. Os sintomas quase sempre são coriza, tosse, dor de garganta e febre. Esses vírus podem causar infecção das vias respiratórias inferiores, como pneumonia, mas apenas em alguns casos. Esse quadro é mais comum em pessoas com doenças cardiopulmonares, com sistema imunológico comprometido ou em idosos. Já o MERS-CoV, assim como o SARS-CoV, causam infecções graves.

Os coronavírus que levam à SARS têm um período de incubação de 2 a 14 dias, sendo que a transmissão viral ocorre apenas enquanto persistirem os sintomas, sendo raros os casos de transmissão após a resolução dos sintomas, tanto para o SARS-CoV quanto para o MERS-CoV.  Durante o período de incubação e casos assintomáticos não são contagiosos. O perigo está depois de já incubado em alguém o vírus, quando já se manifestam os sintomas e antes que eles desapareçam. No caso do cãozinho chinês do território de Honk Kong, ele, apesar do teste positivo, não manifestou sintomas, o que não o torna contagioso.

 

Transmissão inter-humana e até do animal para o homem e do homem para o animal

Todos os coronavírus são transmitidos, pelo que se sabe nos estudos médicos feitos até agora, apenas de pessoa a pessoa, incluindo os SARS-CoV.

De uma forma geral, a principal forma de transmissão dos coronavírus se dá por contato próximo de pessoa a pessoa, e isso significa: qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membro da família; ou pessoa que tenha tido contato físico com o paciente; ou pessoa que tenha permanecido no mesmo local que o paciente doente (ex.: pessoa que more junto com o paciente ou o tenha visitado).

A transmissão do novo coronavírus ocorre pelo contato com o vírus, que é transportado por gotículas expelidas pela fala, tosse ou espirro de pessoas doentes. A infecção se dá quando estas gotículas entram em contato com a mucosa dos olhos, nariz e boca.

Estas gotículas com o vírus podem estar presentes no ar, ao serem expelidas, ou podem estar sobre superfícies contaminadas, como o rosto ou mãos, e objetos, como maçanetas, botões de elevador, corrimão, e apoios em transporte público, por exemplo.

E nos animais? O atual coronavírus veio de um animal – há quem acredite que seja um animal selvagem, já que é comum o consumo de carne de animais selvagens na China.

A maioria dos coronavírus geralmente infectam apenas uma espécie animal ou, pelo menos um pequeno número de espécies proximamente relacionadas. Porém, alguns coronavírus, como o SARS-CoV podem infectar pessoas e animais. O reservatório animal para o SARS-CoV é incerto, mas parece estar relacionado com morcegos. Também  existe a probabilidade de haver um reservatório animal para o  MERS-CoV que foi isolado de camelos e de morcegos.

O parecer da agência francesa ANSES (Agência Nacional de Alimentos, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho) sobre o SARS-CoV-2 (coronavírus COVID-19) e os animais está muito bem documentado e conclui, em particular, que, à luz do conhecimento científico disponível, não há evidências de que animais de estimação e gado desempenham um papel na propagação do vírus.

 

Animais domésticos: perguntas e respostas frequentes e úteis

Uma declaração recente da Associação Veterinária Mundial de Pequenos Animais é preocupante porque demonstra os efeitos da falta de informação sobre os animais de estimação:

“Ainda faltam muitas informações sobre o SARS-CoV-2. A prioridade é controlar o surto humano o mais rápido possível. No entanto, estamos preocupados com o bem-estar animal, devido aos relatos de abandono ou morte de animais de estimação apenas por causa do medo, que atualmente é injustificado, de seu possível papel na epidemia do COVID-19.”

Em relação ao surto de SARS-CoV2, a síndrome respiratória causada pelo novo coronavírus, o Instituto Zooprofilático Experimental de Veneza, Itália, responde a algumas perguntas recorrentes sobre o envolvimento de animais de estimação na transmissão desta infecção específica.

 

Perguntas frequentes sobre coronavírus e animais de estimação

 

O SARS-CoV-2 pode infectar animais de estimação?

Embora o SARS-CoV-2 seja mais provável que tenha se originado de um animal, hoje o surto de SARS-CoV-2 é apoiado exclusivamente pela transmissão do vírus entre humanos e humanos ou através do contato com objetos contaminados, sem o envolvimento ativo dos animais. No entanto, a situação está evoluindo rapidamente, mas os estudos epidemiológicos e virológicos também estão progredindo rapidamente, por isso, é bom monitorar constantemente cada atualização científica.

É melhor evitar o contato com animais de estimação em caso de infecção por SARS-CoV-2?

Embora ainda não esteja claro se nossos animais possam ser infectados por CoV-19, é melhor limitar os contatos ao mínimo, em caso de infecção, assim como deve ser feito para com outros membros da família, também sendo aconselhável fazer em caso de infecção por qualquer forma de doença. É sempre aconselhável manter um alto nível de higiene, sempre lavando as mãos antes e depois de tocar nosso animal de estimação.

O que devo fazer se um animal em contato próximo com um paciente infectado pelo COVID-19 adoecer?

Atualmente, não há evidências da doença de SARS-CoV-2 em animais de estimação, mas, se houver sinais de adoecimento após o contato de um animal com uma pessoa infectada com SARS-CoV-2, é bom notificar seu médico veterinário por telefone, relatando a exposição à infecção.

Se meu animal de estimação esteve em contato com uma pessoa doente pode espalhar a infecção?

Atualmente, não há evidências da doença de SARS-CoV-2 em animais de estimação, muito menos a possibilidade de que eles possam espalhar a infecção. No entanto, ao adotar o princípio da precaução, se o animal entrou em contato com uma pessoa infectada, é melhor evitar colocá-lo em contato com outras pessoas, especialmente se elas estiverem em risco.

Faz sentido exigir um teste de coronavírus felino ou canino para avaliar se nossos animais são saudáveis?

Não, porque os coronavírus que infectam nossos animais são muito diferentes do SARS-CoV-2. Na verdade, existem muitos coronavírus capazes de infectar humanos e animais de estimação, que não têm nada a ver com a epidemia de COVID-19. Uma vez que o teste realizado em cães e gatos é específico para coronavírus felinos ou caninos, o resultado do teste não daria nenhuma informação sobre a infecção por SARS-CoV-2.

Faria sentido vacinar um cão para coronavírus canino, a fim de protegê-lo do COVID-19?

Não. Uma vacina específica não seria de proteção cruzada para o SARS-CoV-2.

 

O site da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) afirma: “A atual disseminação do COVID-19 é o resultado da transmissão de humano para humano. Até o momento, não há evidências de que animais de estimação possam espalhar a doença, então, não há motivos para tomar medidas contra animais de estimação que possam comprometer seu bem-estar “.

A Guarda Nacional Republicana (GNR), que é uma força de segurança de natureza militar de Portugal, constituída por militares organizados num corpo especial de tropas e dotada de autonomia administrativa, com jurisdição em todo o território e no mar territorial português, que é uma espécie de Força Militar de Segurança Pública,fez em 13 de março de 2020 um apelo nas redes socias relativamente ao coronavírus, apelando às pessoas que têm animais, para não os abandonarem:

“Os animais domésticos podem transmitir o COVID-19? NÃO!! De acordo com informação da Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidência de que os animais domésticos, tais como cães e gatos, tenham sido infectados e que, consequentemente, possam transmitir o COVID-19”.

A conclusão é: não há motivo para se preocupar com o seu animalzinho, mesmo se ele tiver tido contato com o vírus, porque nem o vírus o afeta nem o animal doméstico pode transmiti-lo a um ser humano. O problema ocorreu pela divulgação à imprensa, que lamentavelmente transformou o comunicado em um alarme, que, dirigido à massa, provoca os deploráveis efeitos da ignorância. Vamos evitar que até nossos animais sofram com o problema, que já é, em si, grave.

Definitivamente: animais domésticos não transmitem o vírus a humanos, ainda que haja teste positivo para o vírus detectado neles. Releiam o artigo acima e consultem boas fontes antes de tomarem decisões precipitadas!


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