Categoria: Gatos

  • A caixinha de areia do gato: onde colocar?

    A caixinha de areia do gato: onde colocar?

    Ao contrário dos humanos, os gatos podem, sim, mudar o banheiro de lugar. Eles podem não conseguir adaptar as necessidades deles se você não souber observar alguns hábitos dos felinos domésticos ao não colocar as caixinhas de areia nos lugares mais adequados, que, sim, existem. Longe da comida e num lugar reservado, fora do caminho dele Assim como nenhum ser humano decente gosta de fazer as suas necessidades ao lado de sua geladeira ou até mesmo ao lado de sua mesa de jantar com o seu prato favorito lá, também o seu gato preferirá distância entre a área de sua comida e a área de suas necessidades, ou seja, o banheiro e a cozinha do gato nunca ficam no mesmo lugar.  Também a caixa não pode estar obstruída nem ficar justamente no caminho em que ele frequenta nas andanças pela casa, porque gatos amam um lugar privado para suas necessidades, embora, indiscretos, adoram ficar espiando os seus humanos nas suas privadas – não gostam de palco para si, mas para seus humanos, tudo bem.

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    Uma caixinha em cada andar

    Se você mora em uma casa com mais de um andar, facilite a vida do seu gato: faça com que a corrida ao banheiro seja menor e dê-lhe alternativas, caso ele não queira usar uma delas ou se você, sem querer, bloquear o acesso a uma das caixinhas. Imagine você mesmo, apertado, querendo usar o banheiro, e a sua esposa ou o seu marido ou alguém da casa há mais de uma hora tomando banho, sem alternativas… O gato é um animal de hábitos de higiene bem rígidos, ou seja, ele é bem limpo. Sem uma caixinha, a situação é absolutamente dramática para ele, que não sabe o que fazer. Evite pânico no animal e incômodo para você: facilite o que puder para ele ter a caixinha de areia acessível.

     

    Caixas fechadas? Barulho e calor? Não, sossego e limpeza, por favor!

     

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    O meu gato me avisou que não quer ficar preso no banheiro, que agonia! Existem, sim, caixas fechadas, mas o seu gato pode se sentir incomodado ao não conseguir encontrar uma saída de lá. Imagine o seu incômodo ao ter que, a toda ida dele ao banheiro, ter que socorrê-lo para retirá-lo de uma caixa fechada! Você vai nos agradecer pela dica, e seu gato, muito mais. Tampouco coloque a caixa perto de aparelhos que façam muito barulho ou que transmitam calor, como máquinas de lavar ou de secar, só para citarmos dois exemplos. O barulho pode assustar o seu gato, e o calor pode intensificar o cheiro das fezes do animal, o que não é lá muito agradável para o seu gatinho, tampouco para você. Sossego e limpeza é o que todos querem, não é, mesmo?

  • Maine Coon: Conheça o gato gigante e gentil

    Maine Coon: Conheça o gato gigante e gentil

    Um gato da raça Maine Coon

    O Maine Coon é um dos maiores gatos domésticos do mundo. É apelidado de “gigante gentil”, e as pessoas são fascinadas por seu tamanho e enfeitiçadas por sua beleza. Amigável e sociável, o mistério envolve suas origens, sem que haja documentação oficial disponível para comprovar algo confiável, há apenas boatos e mais boatos. O nome vem de duas palavras:  a primeira é Maine, o Estado dos EUA onde ele se originou, declarado a raça oficial do Estado em 1985, depois de ter recebido outros nomes (Coon Cat, Maine Cat, Maine Shag, American Longhair, etc.);  e a segunda é Coon, que ninguém sabe de onde vem exatamente: uns falam que ele surgiu do cruzamento de um gato com um guaxinim (‘Racoon’, em inglês); algumas histórias falam do capitão Charles Coon, que no século XIX teria gatos de pelo longo em seu navio para controlar ratos e, tendo desembarcado no Maine, passou a cria-los ali; outros falam de gatos que vieram da Noruega com os vikings que desembarcaram na América por volta do século XI, dada a semelhança entre os Maine Coons e Norwegian Forest Cats; outro boato diz que, em meio à Revolução Francesa, os gatos da condenada Marie Antoinette foram carregados em um barco em La Havre com destino ao Maine, tendo ela sido decapitada antes de se juntar a eles, que eram da raça Angorá turco, também muito semelhantes aos Maine Coons. Uma exposição competitiva em 1895 em Nova Iorque consagrou a raça nos EUA, mas eles foram declinando em popularidade até serem prematuramente declarados extintos em 1950, mas, com a formação do Central Maine Cat Club (CMCC) nesse mesmo ano, a sua popularidade foi novamente crescendo, e os primeiros padrões oficiais da raça foram escritos.

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    Características principais

    Como as pessoas são fascinadas por seu tamanho, os criadores têm usado técnicas para produzir espécimes maiores, acasalando machos e fêmeas maiores. Um gato dessa raça tem entre 25,40 cm até 40,60 cm. Seu peso oscila entre 4 kg(fêmeas mais leves) e a 11 kg (machos maiores), desde que não alimentados demais (o teste é simples: apalpar o dorso – costelas muito à vista, um pouco magro; não se veem costelas, já com excesso de peso). Suas pontudas orelhas lembram as de um lince, seu focinho é comprido e largo, os olhos grandes e em formato amendoado podem ser verdes ou âmbar. Eles têm maçãs do rosto altas e bem definidas, para um rosto bastante quadrado. São gatos robustos e musculosos, com ossos grandes, peitos largos e corpos retangulares. Eles têm pernas longas e grandes patas peludas, perfeitas para espalhar seu peso ao caminhar na neve. Seu espesso pelo longo e sedoso é impermeável praticamente à água e à neve, crescendo bem mais no dorso e nas laterais que nas patas, nos ombros, no rosto e no topo da cabeça, mas mantêm uma vistosa juba como a de um leão. Sua cauda também é imensa como o corpo e de pelagem super vistosa, mais larga na base, afunilando-se até a ponta. É um verdadeiro luxo, talvez a raça que mais levou o ser humano a associar os termos ‘gato’ e ‘gata’ a pessoas de ótima aparência. Ele pode ter até 75 tipos de pelagem diferentes, que vão de cores sólidas puras (preto, branco, vermelho, azul-acinzentado, creme), sólidas com nuances (de preto, azul, vermelho, creme e alguns tons com nomes específicos), serem malhados (com várias combinações e predominâncias de tons) e bicolores, um verdadeiro espetáculo de variedade. São tão sociáveis e apegados que muitos donos acham até que adquiriram um cachorro ao adotar um Maine Coon, além de serem amigáveis com outros gatos e animais de outra espécie, também com crianças. Pelo tamanho, não são lá muito de colo, mas com o tempo vão-se aninhando com os donos e, surpreendentemente para seu porte, costumam ter tons de miado bem agudos. Precisam obviamente de muito espaço e bastante enriquecimento ambiental para manterem-se ocupados, mas não costumam ser agitados. Adoram um banho, alguns até nadam.

    Dieta e cuidados com a saúde

    O cuidado com a pelagem do Maine Coon deve ser muito intenso, porque ele pode engolir os pelos e sofrer com embaraços, por ser sua pelagem muito abundante. Quanto à saúde, costumam ser saudáveis, mas têm propensão genética às seguintes doenças: cardiomiopatia hipertrófica felina, que é uma doença incurável; atrofia muscular espinhal (específica da raça, detectada por exame de DNA); displasia dos quadris; e doença renal policística. O grandão não pode, por ser de porte avantajado, comer demais. A ração para filhotes é aconselhável até 2 anos, quando cessa seu crescimento (há alguns que continuam até os 4 anos, é bom sempre consultar um criador experiente sobre essa questão). Seu peso máximo, para um tamanho já avantajado de macho, é de 11 kg, e 7 kg para as fêmeas. Após a castração, os cuidados com a alimentação devem ser imensos para não chegarem os bichanos à obesidade, o que, para essa raça, não é uma coisa difícil. Não se preocupe: o Maine Coon ele pode viver num apartamento, porque não é tão ativo, mas pode passear, sim, porque gosta de dar suas voltinhas e precisa, sim, como todo gato, de enriquecimento ambiental. É importante acrescentar à dieta proteínas, por causa da pelagem que precisa ser regenerada, papel para o qual as proteínas são importantíssimas; também fibras e probióticos, para excelente funcionamento de seu trato digestivo.

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  • O gato bengal para pessoas alérgicas

    O gato bengal para pessoas alérgicas

    Você já ouviu falar que existe uma raça de gatos que é considerada hipoalergênica.

    Sim, hipoalergênica, ou seja, que provoca bem menos alergia em pessoas propensas a sentirem problemas diante de gatos. Como assim?

    Entendendo melhor a questão, podemos começar a afirmar que não existe apenas um tipo de alergia que pessoas sentem com relação a gatos.

    Há, ao menos, dois tipos de alergia: uma que é associada diretamente ao pelo do animal; e outra, que é associada a um tipo de caspa que o animal libera.

    Mas haveria, como se propaga, uma raça de gatos hipoalergênica?

    E por que o gato da raça bengal, por exemplo, seria hipoalergênico?

    Ele tem como característica o pelo curto, o que faz com que solte menos fios pelos ambientes. Outra característica que favorece a raça no convívio com alérgicos é que ela não tem tanta caspa quanto outras raças.

    Infelizmente, para alguns sensíveis a pelos, há as trocas de pelos também nos bengals, então, a esse tipo de alérgicos recomenda-se alguma medida preventiva ou até não se aproximar do animal, talvez nem possuir um, já que alergia não tem cura. Conhecer seu tipo de problema alérgico, portanto, é a primeira medida.

  • A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) felina

    A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) felina

    As cardiomiopatias são problemas de saúde cada vez mais frequentes na rotina do médico veterinário de pequenos animais. São classificadas em quatro categorias gerais: cardiomiopatia hipertrófica, cardiomiopatia dilatada, cardiomiopatia restritiva e cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito.  

    A cardiomiopatia hipertrófica felina (CMM ou mais comumente abreviada HCM em inglês) não é uma doença cardíaca, mas uma síndrome, comum a muitas doenças (cardíacas ou não).

    A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas clínicos que um paciente pode apresentar em determinadas doenças, ou em circunstâncias clínicas que não são necessariamente patológicas. 

    A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) é o principal problema de saúde relacionado ao coração dos felinos, caracterizado por hipertrofia ventricular esquerda, sem dilatação. É uma síndrome que afeta especificamente o miocárdio, que é o músculo do coração. A hipertrofia ventricular esquerda (HVE) representa uma resposta adaptativa do coração à hipertensão arterial. Embora compensatória, essa hipertrofia predispõe à morbidez e até à morte do animal, além de ser importante fator de risco para a insuficiência cardíaca. 

     

    Causas da Síndrome

    As causas da cardiomiopatia hipertrófica (CMH) primária ou idiopática em gatos não são completamente conhecidas, mas reconhece-se uma anormalidade genética em alguns casos, mas ela pode ser secundária a outras doenças, como o hipertireoidismo ou a mutações na proteína C. 

    A maioria dos casos de CMH em gatos são resultado de uma doença geral como: hipertensão arterial, insuficiência renal crônica, hipertireoidismo, etc. Em caso de suspeita de CMH, deve-se começar procurando por uma doença geral.

    As causas genéticas não são tão comuns como às vezes se lê, e apenas certas mutações em certas raças são conhecidas até hoje, especificamente nas raças Maine Coon e Ragdoll, mas, segundo alguns estudos recentes, outras raças podem também ser afetadas, como veremos adiante. 

    A síndrome se caracteriza por um aumento na espessura e rigidez da parede ventricular esquerda, com consequente disfunção diastólica, ou seja, mau desempenho do relaxamento muscular do coração do animal, acompanhado de dificuldade no enchimento dos ventrículos. A valva mitral, que, por ser valva, faz o sangue fluir num único sentido, acaba regurgitando, ou seja, fazendo o sangue fluir no sentido oposto, em função da deficiência no enchimento dos ventrículos, levando a um aumento do átrio esquerdo do coração e consequente edema (inchaço) pulmonar originado no coração, o que pode levar a uma parada respiratória, se agudo. 

    Com o avanço da medicina veterinária moderna, no entanto, diversos problemas de saúde puderam ser abordadas com maior sucesso na clínica médica de pequenos animais, tais como a CMH felina. 

    A cardiomiopatia hipertrófica possui um amplo espectro clínico, variando de patologia leve sem sinais clínicos (apresentando apenas sinais subclínicos) à doença grave com complicações associadas, como distúrbios arrítmicos e morte súbita.

     

    Como é diagnosticada a cardiomiopatia hipertrófica felina e a dificuldade de obtenção de diagnósticos com custo acessível

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    O exame físico desempenha um papel limitado no diagnóstico dessa patologia. A sensibilidade e a especificidade da ausculta do veterinário para detectar patologia cardíaca são precárias, porque a maioria dos gatos com cardiomiopatia hipertrófica não apresenta anomalias auscultativas, e alguns deles apresentam sopro cardíaco fisiológico devido à obstrução dinâmica do ventrículo direito, sem que isso se caracterize como CMH. 

    O diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica felina é feito por ecocardiografia e é sempre um diagnóstico de exclusão. Um diagnóstico preciso da cardiomiopatia hipertrófica pode ser realizado se um espessamento de toda a parede do ventrículo esquerdo (ou uma região maior que 6 mm) for observado na ausência de hipertireoidismo, pressão alta e desidratação grave (ou seja, por exclusão dessas patologias). 

    Na CMH, ocorre o espessamento da parede cardíaca, geralmente acompanhado por um aumento no tamanho dos músculos papilares (encontrados nos ventrículos) e observa-se a obstrução da cavidade esquerda no final da sístole cardíaca (contração do músculo do coração). 

    Outros resultados que podem ser observados no ecocardiograma são: dilatação do átrio esquerdo e movimento da valva mitral anterior funcional por obstrução dinâmica na saída de sangue do ventrículo esquerdo. 

    Mas a ecocardiografia ainda é um procedimento oneroso, então, são necessários testes mais baratos e acessíveis para o diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica felina.

    Uma alternativa poderiam ser os biomarcadores de plasma ou soro, os quais têm sido utilizados na medicina humana para avaliar doenças cardíacas. A detecção da extremidade N-terminal do pró-hormônio do peptídeo natriurético cerebral (NT-proBNP) em gatos foi recentemente disponibilizada. Isso levou a comunidade científica a começar a explorar a utilidade desse biomarcador em problemas cardíacos em gatos. Há, nesse sentido, um importante estudo publicado na respeitadíssima publicação veterinária Journal of Veterinary Internal Medicine, disponível a importantes centros universitários europeus e dos EUA. 

    Segundo o estudo, o NT-ProBNP foi considerado útil para o diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica grave, mas não se mostrou sensível para o diagnóstico da ocorrência moderada ou leve da síndrome. Os autores do estudo concluíram, portanto, que o NT-ProBNP não pode ser usado para a triagem de cardiomiopatia hipertrófica, pois formas moderadas e leves da síndrome não seriam identificadas.

    Uma vez que o histórico do paciente e exames clínicos que consigam perceber algo além dos meramente físicos, como um ecocardiograma, apontem para a existência de insuficiência cardíaca, o exame que se usa para identificar um miocárdio ampliado é, atualmente, o ultrassom cardíaco. Se o exame confirmar a presença de um HCM, uma possível causa deve ser encontrada, inclusive através de exames de sangue e de uma aferição de pressão arterial.

    No caso específico de causas genéticas, temos que ficar atentos principalmente às  raças Maine Coon e Ragdoll, que são as mais suscetíveis a contraírem a síndrome no processo de reprodução com a interferência humanal, e a pesquisa (impulsionada pelos criadores de Maine Coon a partir do início da década de 1990) chegou a identificar uma mutação genética específica para o Maine Coon e o Ragdoll, detectável por teste de DNA. Este teste de DNA detecta a mutação do gene MyBPC3 em ambas as raças. Como se sabe que há pelo menos uma outra causa de HCM em gatos, este teste de DNA, por si só, não é suficiente para dizer se um gato está imune à síndrome ou não. É necessário completar com ecocardiogramas a partir dos 18 meses de idade. Os ultrassons de modo 2d e de modo M medem a espessura das paredes do coração e o tamanho das cavidades às quais é adicionado um ecodoppler colorido, mais preciso do que o ecodoppler pulsado ou o ecodoppler contínuo. Este último ultrassom permite uma visão do fluxo sanguíneo dentro do coração. Algumas clínicas veterinárias também possuem equipamentos para realizar ecodopplers de tecido, que podem detectar formas anteriores da síndrome.

    A detecção, como se pode deduzir, é bastante sofisticada e onerosa. 

     

    Sintomas

    Aqui também, a situação é muito confusa, pois alguns animais podem, embora estejam acometidos por uma forma grave da síndrome, não apresentar sintomas ou anormalidades durante a auscultação cardíaca. Esta situação explica uma série de mortes súbitas encontradas entre felinos domésticos. Como dissemos acima, o exame meramente físico é bastante limitado. Em geral, os sintomas incluem:

    • fadiga rápida durante o exercício físico,

    • insuficiência cardíaca (arritmia, taquicardia, sopro cardíaco),

    • embolia ou edema pulmonar,

    • dificuldade para respirar,

    • paralisia dos membros traseiros secundário à embolia de um coágulo (ou trombo) que geralmente se forma no aurículo esquerdo muito anormalmente dilatado.

    No estetoscópio, a frequência cardíaca pode ser bastante normal. No entanto, é comum que nenhum dos sintomas acima sejam notados até que ocorra a morte do gato.  

     

    Como a síndrome é transmitida

    Não há uma transmissão de um indivíduo a outro, nem de outro animal a um gato, mas apenas na forma genética, exatamente por ser uma forma genética, existe uma transmissão hereditária. As modalidades variam dependendo do tipo de mutação. Podem ser encontradas famílias inteiras de gatos com CMH. 

    Se pegarmos o exemplo de um Maine Coon, a transmissão é feita em um modo autossômico dominante com penetração completa, mas de expressão variável. A síndrome afeta, portanto, tanto os machos quanto as fêmeas, e apenas um dos pais é suficiente para transmitir a doença aos seus descendentes. Todos os gatos portadores da mutação desenvolverão a doença, mas, na comparação de um indivíduo para outro, a doença ocorrerá mais ou menos cedo e com uma intensidade diferente. 

    O mesmo acontecerá com o american shorthair ou com o ragdoll, enquanto com o persa, por exemplo, é muito menos comum porque se trata de um gene recessivo. Portanto, é preferível eliminar do circuito reprodutivo qualquer gato detectado como positivo, mesmo que a síndrome ainda não tenha ocorrido.

     

    Tratamento da causa inaugural

    Não há tratamento específico para a hipertrofia do miocárdio. Se uma causa específica for identificada, o tratamento adequado será instituído: tratamento para insuficiência renal, para hipertireoidismo, etc.

    Se houver insuficiência cardíaca induzida pelo CMH, o tratamento para melhorar a qualidade de vida do animal e prevenir possíveis complicações é instituído. Até o momento, não há consenso sobre um determinado protocolo terapêutico.

     

    Evolução

    A evolução do quadro clínico depende muito da causa responsável, das alterações do miocárdio e de outros fatores. Em alguns casos, quando o tratamento específico e eficaz permite remover a causa (ou seus efeitos), pode ser observada uma normalização das alterações no ecocardiograma, o que é um fator que está associado à cura. Por outro lado, em muitos casos, a doença pode evoluir para uma insuficiência cardíaca cada vez mais grave, até tromboembolias e até mesmo uma morte súbita.

     

    Pesquisa

    Atualmente, há criadores das principais raças envolvidas trabalhando juntamente com escolas veterinárias de todo o mundo para melhorar as soluções para a detecção de gatos portadores, a fim de melhorar eliminá-los do circuito reprodutivo. 

    Na França, por exemplo, o Departamento de Cardiologia da Escola Nacional de Veterinária de Alfort, a principal escola veterinária daquele país, está seriamente empenhado nas pesquisas sobre a síndrome.

    Muitos outros laboratórios ao redor do mundo estão trabalhando em pesquisas sobre essa síndrome. Os Drs. Meurs e Kittleson da Universidade de Califórnia a Davis estão particularmente envolvidos nessa pesquisa, assim como o Laboratório Antagene, a Escola Veterinária Dinamarquesa e a Winn Feline Health Foundation, que arrecada fundos para a pesquisa sobre o HCM para as raças de gatos Ragdoll, Norueguês e Sphynx.

     

    Os donos de gatos da raça bengal têm que se preocupar com a síndrome?

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    Segundo a professora e médica veterinária Raquel Valério, da Universidade de Évora, Portugal, no livro Clínica de animais de companhia, editado em 2016, a CMH tende a apresentar uma predisposição genética em algumas raças felinas, com maior prevalência nas raças Maine Coon, Persa, American Shorthair, Ragdoll, Bengal e Sphynx. Apesar de afetar principalmente raças puras, tem sido cada vez mais observada em gatos de pelo curto de raças indeterminadas. Tem sido relatada com mais frequência em gatos machos, mas pode também acometer fêmeas. Em sua generalidade, é descrita em animais jovens e de meia idade, embora haja uma ampla faixa de distribuição etária.

    Conclui-se que o bengal não está excluído da possibilidade de ser acometido, até por fatores hereditários, pela síndrome, principalmente porque os estudos ainda não são conclusivos sobre ela.

    Quanto às medidas a tomar por pessoas que desejam ter um gato bengal como seu animal de estimação, para evitar as questões genéticas que estão envolvidas na criação, como vimos acima, algo que ainda está dependendo de muitas pesquisas, o melhor é procurar um gatil confiável, reconhecido na área, com recomendação de veterinários, para escolher o seu bichano. 

    No caso de origens ainda não tão bem conhecidas, o jeito é cuidar bastante do seu felino e estar sempre preparado para, em caso de algum sinal da síndrome, buscar logo o exame de coração mais adequado e tentar mapear o mais rápido possível as causas e tratá-las assim como seus efeitos com a ajuda de seu veterinário de confiança. 

  • O gato bêngal para alguns tipos de pessoas alérgicas

    O gato bêngal para alguns tipos de pessoas alérgicas

    Você já ouviu falar que existe uma raça de gatos que é considerada hipoalergênica. Ahn? Sim, hipoalergênica, ou seja, que provoca bem menos alergia em pessoas propensas a sentirem problemas diante de gatos.

    Como assim?

    Entendendo melhor a questão, podemos começar a afirmar que não existe apenas um tipo de alergia que pessoas sentem com relação a gatos. Há, ao menos, dois tipos de alergia: uma que é associada diretamente ao pelo do animal; e outra, que é associada a um tipo de caspa que o animal libera.

    Haveria, como se propaga, uma raça de gatos hipoalergênica?

    Por que o gato da raça bengal, por exemplo, seria hipoalergênico?

    Ele tem como característica o pelo curto, o que faz com que solte menos fios pelos ambientes. Outra característica que favorece a raça no convívio com alérgicos é que ela não tem tanta caspa quanto outras raças.

    Infelizmente, para alguns sensíveis a pelos, há as trocas de pelos também nos bengals, então, a esse tipo de alérgicos recomenda-se alguma medida preventiva ou até não se aproximar do animal, talvez nem possuir um, já que alergia não tem cura. Conhecer seu tipo de problema alérgico, portanto, é a primeira medida.

    Há quem afirme que a alergia pode ser trabalhada, como um processo de adaptação – é só conviver com o bichano, principalmente em épocas em que não corre a troca de pelos, por exemplo, que a pessoa se acostuma. Vejamos a opinião de especialistas.

     

    A visão científica dos especialistas

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    O ThermoFischer Scientific, instituição científica dos EUA, tem um boletim sobre alergia em que divulga informações para pacientes.

    A primeira coisa que eles apontam são os sintomas associados ao problema: lacrimejamento nos olhos, espirros após brincar com um animal peludo ou após ter ficado perto de um cão ou um gato.

    O que são os pelos dos animais?

    Eles são uma combinação de pele, dos fios a que chamamos pelos e de saliva. Eles são leves e extremamente pequenos, podendo ficar, por conta disso, horas no ar, até permanecer no ambiente ou nas roupas das pessoas, em tapetes, colchões ou estofados, ou seja, podem causar sintomas muito tempo depois de ter o animal saído de um local. As pessoas, sem saber, podem estar transportando-os para onde forem, o que as incomodará, certamente, em suas atividades cotidianas.

    A alergia a animais peludos (cães e gatos, em particular) é tida como um fator de risco para o desenvolvimento de asma e rinite alérgica. De fato, quase 30% das pessoas com asma já tiveram uma crise dessa doença desencadeada por gatos.

    E, infelizmente, concluem os especialistas: apesar do que você pode ter ouvido, não há raças realmente hipoalergênicas de cães ou gatos.

    Em casos de alergias mais intensas, outros sintomas podem surgir, como: nariz entupido ou coriza; dor facial em decorrência da congestão nasal; tosse, chiado ou dificuldade para respirar; olhos vermelhos, irritados ou muito lacrimejantes; e erupções cutâneas, as chamadas brotoejas.

    O que ocorre é que responder à pergunta se alguém é ou não alérgico a um animal, seja a seu pelo ou à caspa que ele libera, não é simples de responder apenas com um sim ou não a partir de sintomas, principalmente se forem sintomas também de outras problemas – os problemas respiratórios, por exemplo, em locais muito poluídos, podem ser desencadeados por outros fatores.

    Existem algumas proteínas que são liberadas por animais, e o alérgico deve conhecer exatamente qual é a proteína desencadeadora do problema e qual a gravidade do risco associado a essa proteína. É possível, a partir de testes sanguíneos específicos, aproximar-se de uma resposta mais objetiva a questões como: ‘posso manter meu gato?’; ‘o convívio com meu bicho pode piorar meus sintomas alérgicos?’; ‘é possível que eu seja alérgico a um tipo de animal específico?’.

    O melhor conselho é: procure seu médico, então, se você for alérgico!  

    As características mais favoráveis do bengal são soltar menos pelos no ambiente do que outros gatos e liberar menos caspa. O quanto isso vai incomodá-lo ou não é uma questão mais sua do que dele. Os riscos devem ser sempre calculados com a ajuda de especialistas médicos e de boas informações.

    Se não há animais hipoalergênicos, como querem os especialistas, pelo menos há alguns que liberam menos substâncias que possam conter proteínas que desencadeiam em pessoas alérgicas problemas a elas associados. Procure saber como é o seu animal especificamente e como é você. Um dos principais mentores da filosofia, que foi, inclusive, o criador da palavra ‘filosofia’, que foi o filósofo Sócrates, ponderava que todos deveríamos promover o autoconhecimento. Então, a sua lição eterna que nos guie!

     

    O que existe de verdade? Como controlar?

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    Agora, estamos diante de um impasse: podemos contar com os bengals como sendo animais hipoalergênicos ou não?

    Tudo se resolve com o conhecimento.

    Em primeiro lugar, para tranquilizar a maioria dos donos de animais domésticos: a alergia a animais não significa necessariamente que o alérgico precisa se livrar de seu animalzinho de estimação para se sentir aliviado dos sintomas.

    O que fazer, então?

    Não é com desespero que se resolvem os problemas, mas com um gerenciamento eficaz da exposição aos agentes que desencadeiam a alergia, antes que ela atinja o que os especialistas chamam de limiar dos sintomas, que é o ponto em que o alérgico começa a apresentá-los.

    Gerenciar a exposição é simplesmente deixar o alérgico abaixo do limiar dos sintomas, assim, ele poderá manter seu animal e tolerar menos sintomas. A isso os leigos chamam de animais hipoalergênicos, e a ciência chama de gerenciamento da exposição ao agente alérgeno, ou seja, o que provoca a alergia. Não é um simples nome técnico, porque o alérgico terá sempre predisposição aos sintomas provocados pela exposição a pelos de animais ou à caspa liberada por alguns gatos.  

     

    A questão é mais humana do que animal

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    Por incrível que pareça, o alérgico não tem sintomas o tempo todo. Isso não é tão óbvio assim, como alguns pensam, porque parece fácil concluir que a alergia só aparece diante da exposição a agentes alérgenos (só que, em testes psicológicos, isso pode trazer surpresas até para essa aparente obviedade).

    O fato é que cada pessoa tem sua própria combinação única de desencadeantes alérgicos e nem todos eles são óbvios aos leigos.

    Um alérgico pode ser sensível a várias fontes de alérgenos, mas isso pode significar que a sensibilidade pode não ser a suficiente para desencadear os sintomas quando o alérgico é exposto a apenas um dos fatores alérgenos. Se, entretanto, aparecerem diante do alérgico várias substâncias, ao mesmo tempo, às quais o alérgico reage, elas podem se acumular e provocar os sintomas – no caso da alergia a pelos de animais, por exemplo, os sintomas podem ser coceira nos olhos ou coriza. 

    A medida é encontrar as várias substâncias alérgenas, o que pode ajudar um alérgico a ficar abaixo de seu limiar de sintomas. 

    Foi constatado pelos especialistas do ThermoFischer Scientific que 80% das pessoas alérgicas têm alergia a vários alérgenos. Daremos abaixo um exemplo que ocorre em ambientes urbanos sobre efeitos acumulativos de alérgenos.

    Na maior parte do ano, mais precisamente, em três das estações – verão, outono e inverno –, alguém com baixo nível de alergia a ácaros, mofo e pólen de gramíneas, separadamente, não apresenta nenhum sintoma ou apenas algum sintoma bem leve.

    Porém, na primavera, quando é a estação de florescimento, ou seja, de multiplicação de vegetais, a época em que ocorre a polinização, tempo em que o pólen das flores se espalha no ar, o alérgico pode apresentar sintomas e acreditar que a alergia é decorrente apenas da exposição ao pólen, quando ela pode resultar do efeito cumulativo com mofo e ácaros.

    Além de descobrir se é a associação que desencadeia os sintomas, também é necessário conhecer o seu limiar, que é o ponto a partir do qual ocorrem os sintomas.

    Quanto aos animais, o fato de se saber que um animal solta menos pelos e libera menos caspa pode ajudar na escolha de uma raça. O bengal, por exemplo, pode ser um excelente indicador para o conhecimento do limiar de sintomas a alguém alérgico, na comparação com o convívio com outras raças.

    Pode ser, então, que quem queira optar por ter um gato e descubra algum tipo de alergia, acumulativa ou não, possa conhecer melhor o seu limiar e – quem sabe? – optar pelo que os leigos andam chamando de raça hipoalergênica e os especialistas, discordando dos leigos, afirmam que pode ser uma raça que desencadeia menos sintomas, dependendo do limiar, a alérgicos.

    Independentemente da nomenclatura, podemos, como conclusão, além do necessário conhecimento, sempre, louvar essa vantagem dos bengals. Afinal, é deles que se trata a questão. Resta saber se os bengals ou qualquer outra raça ou qualquer outro animal também não tem lá suas alergias a humanos e às intervenções humanas no ambiente (como a poluição, por exemplo). Acho que nós, humanos, não teríamos muita coisa hipoalergênica a oferecer, estaríamos em franca desvantagem diante dos outros animais.

  • Alimentação do seu gato

    Alimentação do seu gato

    Todos os gatinhos merecem ter uma vida saudável e de qualidade mas existem alguns momentos na vida deles um pouco mais complicados em que há a necessidade de um complemento nutricional para ajudar.

    Se você deseja manter seu gato saudável, a Vetoquinol tem o Enisyl-F®, um suplemento nutricional para gatos – tanto adultos quanto filhotes – à base de Lisina, que é um aminoácido fundamental que ajuda a dar suporte a um forte sistema imunológico e à saúde ocular e respiratória dos gatos, além de ajudar a gerenciar problemas comuns de saúde felina, como espirros, coriza e olhos lacrimejantes e inflamados– em muitos casos em que as dietas normais não fornecem esse aminoácido, deve-se fazer uso de uma suplementação dele, e é aí que entra o Enisyl-F®.

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    O produto é obtido através da neutralização da L-Lisina com ácido clorídrico (HCL). Classificado na classe terapêutica como concentrado alimentar, é indispensável na alimentação de animais.

    A embalagem já disponibiliza a quantidade ideal para consumo por filhotes, que é de 250 mg/ml, ou seja, o seu filhote felino deve receber 1 ml duas vezes ao dia, enquanto o seu gato adulto receberá 1 ou 2 duas vezes, dependendo da recomendação para ele feita pelo veterinário (que verificará questões como peso, condição de saúde e a condição do sistema imunológico do animal). É indicado como suporte imunológico para problemas respiratórios pelo tempo necessário, para fortalecimento das defesas naturais dos gatos e até para apoio à função ocular.

    Modo de usar

    A aplicação é extremamente simples: cada pressão no bico dosador representa 1 ml de pasta de Enisyl-F®. Pode ser aplicado diretamente na boca, sobre o focinho ou na pata, onde o seu gato possa lamber. Alternativamente, se for mais conveniente, você pode adicionar o produto no alimento do seu pet. Como ele é extremamente palatável (tem gostinho de peixe), seu gato não terá problemas para aceitá-lo. Inicialmente, deve-se substituir a tampa de segurança pela tampa protetora do bico dosador. A embalagem contém 100 ml do produto.

    Onde encontrar o produto

    O Serviço de Atendimento ao Consumidor da Vetoquinol Brasil localiza-se em São Paulo e pode informar os locais de venda pelo telefone (11) 3568-1111, ou você também pode pesquisar revendedores na descrição do produto no portal da Vetoquinol, clique aqui.

  • O gato-de-bengala ou bengal

    O gato-de-bengala ou bengal

    No Oceano Índico, margeando Sri Lanka, a Índia, Bangladesh, Mianmar, a Tailândia, a Malásia, Singapura e a Indonésia, fica o Golfo de Bengala, que é o maior golfo do mundo. Relacionado a animais, é muito mais comum ler-se ou ouvir-se sobre o tigre-de-bengala, também chamado tigre-indiano, que é umas 6 subespécies de tigres restantes no planeta. Mas existe um outro felino, este um animal doméstico, conhecido pelo nome de gato-de-bengala, ou pelo seu nome em inglês, bengal cat, nome que foi apenas transcrito sem tradução para uso no português para gato bengal, com a pronúncia com o acento na vogal ‘e’, que é fechada (algo como ‘bêngal’).

     

    Para quem quiser saber como escrever e flexionar o nome

    Se for pensar em gramática, a palavra inglesa ‘bengal’ é o adjetivo para quem nasce na região ou golfo de Bengala (por terra, é região dividida entre a Índia e Bangladesh). O uso mais comum em português para designar quem nasce na região é bengali (com acentuação mais forte no ‘i’, ou seja, pronúncia oxítona), mas também é comum bengalês. Em Portugal, também é possível o termo ‘bengala’ para os nascidos na região. Com os nomes aportuguesados, o plural é mais simples: bengalis, bengaleses ou bengalas. Já com o termo em inglês, mantém-se o plural na maneira inglesa: ‘gatos bengals’ (semelhantemente à difícil palavra ‘gol’).  Em Portugal, onde normalmente se preferem termos em português, a preferência é por gato bengala, cujo plural é gatos bengalas (nada relacionado ao objeto ‘bengala’, mas ao aportuguesamento do nome da região entre a Índia e Bangladesh).

     

    O ramo selvagem que originou o bengal e provavelmente também o nome da raça

     O gato-de-bengala é uma raça de gato domesticado criada a partir de hibridação de do gato-leopardo asiático (Prionailurus bengalensis) e de raças de gatos domésticos, principalmente a do gato egípcio conhecido como mau.

     

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    Figura 1: Gato leopardo asiático (Prionailurus bengalensis)

     

    O gato-leopardo é um pequeno gato selvagem nativo do sul e sudeste e leste da Ásia. Desde 2002, ele foi listado como animal que provoca uma menor preocupação na Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature – União Internacional para a Conservação da Natureza, que é uma organização que usa os critérios mais relevantes para analisar o risco de extinção de milhares de espécies e subespécies), pois é amplamente distribuído, embora ameaçado pela perda de habitat e caça em alguns lugares.

    Nos diversos sites sobre a raça, há várias explicações sobre seu desenvolvimento, mas na principal publicação sobre a raça dos EUA, assegura-se que o desenvolvimento é obra de mais de uma pessoa, não sendo possível determinar ao certo a origem precisa. O que se sabe é que ela surgiu por acaso e que a data mais correta é o ano de 1973.

    Naquele ano, o Dr. Willard Centerwall, pediatra da Loma Linda University, EUA, cujo ‘hobby’ eram os felinos, queria tentar tornar gatos domésticos imunes à leucemia felina, e, para isso, cruzou um macho de gato doméstico com uma fêmea de gato-leopardo asiático, animal que é imune à doença. Como a leucemia felina é semelhante à humana, os estudos eventualmente produziriam efeitos para a saúde do ser humano. Ele falhou em suas tentativas, mas, casualmente, iniciou uma nova raça, a dos “bengals”, nome que foi dado, após sequências de cruzamentos e estabelecida a raça, por Bill Engler, grande divulgador da raça, em 1974.

    Os bengals, infelizmente, como os gatos domésticos, não são imunes à leucemia felina, como são os seus parentes asiáticos. Os cruzamentos iniciais foram feitos por Bill Engler, que era um grande entusiasta de felinos exóticos e participava ativamente do ILOC (Long Island Ocelot Clube – Clube de Ocelotes de Long Island). Engler cruzou gatos-leopardos com espécimes do egípcio mau, do gato birmanês, do gato abissínio e do ocicat, que são gatos dóceis, exatamente para tornar os gatos bengals mais amigáveis, embora mantendo a aparência de felinos selvagens exóticos, como leopardos, jaguatiricas, gatos-maracajás, etc., principalmente na pelagem, que pode apresentar manchas, rosáceas, marquinhas de ponta de flecha, ou coloração marmórea, sem o caráter selvagem, nervoso, dos primeiros indivíduos frutos dos cruzamentos iniciais. Há até quem afirme que o nome bengal, dado à raça por Engler, seja inspirado no nome pelo qual era conhecido seu principal divulgador – de fato, na pronúncia: B. Engler (‘soando bi-ênguelr’, rapidamente, com algumas assimilações de sons, vira ‘bêngal’ – algo meio forçado, mas faz parte das explicações não confirmadas da origem do nome da raça).

    A mistura do gato-leopardo asiático com o mau egípcio (e outras raças, como veremos mais abaixo) dá ao gato-de-bengala o seu brilho dourado. O nome “bengal” é muito mais provável que tenha vindo do nome científico dado à raça da mãe utilizada na primeira cruza, segundo a classificação binária que é atribuída a cada animal ou vegetal pelos órgãos internacionais: Prionailurus  

    O ramo doméstico que originou o bengal

    O gato egípcio mau é uma raça de gato de pelos curtos e de porte pequeno a médio. Os maus são uma das poucas raças de gato domesticado que têm manchas naturais, e elas ocorrem apenas nas pontas dos pelos de sua pelagem. É uma raça considerada rara.

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    Figura 2: O mau, raça egípcia de gato, hoje rara

     

    O gato birmanês é muito longevo, chegando a viver em média 18 anos. Caracteriza-se por ser muito ágil e forte, tem olhos grandes, de cor dourada brilhante.  É ativo, sociável e tranquilo.

     

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    Figura 3: Fêmea de um gato birmanês.

     

     O gato abissínio, cujo nome é dado pela sua origem, a região da Abissínia, hoje dividida entre os países da Etiópia e da Eritreia, na África, é bem resistente a altas temperaturas, como os gatos originários do continente africano. Os traços típicos de caráter são a teimosia e o pedido contínuo de atenção; tem muita energia e adora brincadeiras; é sociável, ágil, curioso, adora altura e furtar objetos que lhe interessem, mas, devido à sua graça e elegância naturais, dificilmente causa estragos.

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    Figura 4: Um exemplar de gato abissínio adulto, de cor de lebre.

     

    ocicat é uma raça felina que se parece com o gato selvagem na aparência, mas foi obtida exclusivamente com o acasalamento de gatos domésticos. É um gato inteligente, brincalhão e facilmente treinável, muito apegado ao ser humano, mas desenvolve um carinho especial com apenas um indivíduo e odeia a solidão.

     

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    Figura 5: Exemplar de gato ocicat de pelagem chocolate.

    As três primeiras gerações que partiram do gato-leopardo asiático como um dos pais e a de domésticos como outro dos pais são as chamadas espécimes fundamentais, que foram usadas nesses cruzamentos entre gatos-leopardos com gatos mansos e com manchas, para assegurar a pelagem semelhante à de felinos selvagens e a docilidade do caráter. Da quarta geração em diante, já se obteve um gato da raça hoje conhecida como gato-de-bengala, que é totalmente fértil e dócil. Portanto, na atualidade, não é necessário tornar a cruzar um bengal com qualquer outro indivíduo das espécimes fundamentais, porque a raça bengal já se estabeleceu geneticamente, e a criação seletiva dos melhores espécimes de bengals já é suficiente para perpetuar e melhorar a pelagem dessa raça doméstica. Em 1986, ela foi reconhecida pela TICA – The International Cat Association (A Associação International de Gatos), associação que coleta um grande conjunto de dados genéticos de gatos e tem sede nos EUA.

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    Figura 6: Um típico exemplar de gato bengal.

     

    Características físicas da raça

    bengal é um gato grande e musculoso; os machos podem pesar 9 kg, enquanto as fêmeas geralmente não excedem 6. A cabeça deve ser proporcional, com um perfil bastante triangular e semelhante ao de seus progenitores selvagens. Ele tem expectativa de vida entre 10 a 16 anos.

    O nariz não é particularmente longo; os olhos são grandes e podem ser amarelos, verdes ou azuis se for uma “snow bengal”, uma variedade que se diferencia pela coloração semelhante à dos siameses, mas mais clara.

    As orelhas não devem ser muito grandes. O pelo é curto e fino, com textura espessa e sedosa ao toque.

    As pernas são robustas, a cauda é de comprimento médio e com ponta arredondada.

    As cores permitidas são: malhado e a variedade ‘snow bengal’ (também chamada de leopardo da neve), ambos com manchas bem marcadas, o malhado indo de um marrom avermelhado a uma cor preta intensa. Um defeito que em uma exposição felina pode levar à desqualificação é a presença de manchas brancas irregulares. A barriga é sempre manchada.

     

    Comportamento

    Um gato-de-bengala foi considerado um verdadeiro gato doméstico somente após a terceira geração, conforme vimos pela história da raça; antes dela, ele apresentou comportamentos ainda típicos do gato selvagem;  mas, ainda hoje, na verdade, o bengal nunca abandonou completamente o caráter dos progenitores.

    Ele adora pular, correr e ainda tem um instinto predatório em relação a pequenos animais. Para muitos, tem o espírito de um cão, porque adora correr atrás de objetos lançados e trazê-los ao dono. Relaciona-se bem com crianças, podendo demonstrar medo ou indiferença com quem não conhece.

    Ele precisa de espaço para correr, mesmo dentro das paredes de casa ou em um jardim fechado. É um gato carinhoso, mas com um caráter decididamente agitado – alguns donos amenizam o adjetivo para ‘animado’, mas acho que é fácil entender que o menino é um pouco arteiro, mesmo (para conferir: nas descrições da raça, feitas por especialistas, no item ‘energia’, de 1 a 5, do menor nível ao maior nível, o do bengal consta como 5).

    O gato-de-bengala gosta de jogos de busca além de ser um gato que adora aprender novos truques. Para ele, subir em árvores é sinônimo de desafio, mas, para manter os pássaros locais a salvo desse minicaçador, é bom deixá-lo em um local onde ele possa pular e escalar com segurança para outros pequenos animais. Como também gosta de brincar com água, fontes e bebedouros devem existir por perto, para ele se divertir – sempre, é claro, preservando o ambiente da sujeira que se espalha. Claro, não é boa ideia ter um aquário e um bengal no mesmo ambiente: dá para imaginar a consequência de um salto do bengal (ele o fará com absoluta convicção) para pegar os peixinhos.

    Quem gosta de gato animado e carinhoso, tenha um bengal; mas quem não tem fôlego para uma agitação que inclua um bichano que mexa em seus CDs, que acenda e apague as luzes, que derrube copos e trepe em tudo, adapte seu ambiente (há móveis especiais que podem ser pendurados para esse fim). Você evitará o tédio (fácil) do bengal, ou, então, desista, interesse-se por outra raça!

     

    Cuidados específicos

    Durante a troca de pelagem, é necessário escová-lo com mais frequência, mas ele não requer cuidados além dos de um gato doméstico normal.

    Como sua pelagem é grossa e curta, exige poucos cuidados específicos, sendo suficientes apenas escovação semanal para remover pelos mortos e devolver-lhe o brilho, bem como banhos raros. Como para qualquer gato, escovar os dentes duas vezes na semana, é recomendável, assim como cortar as unhas a cada duas semanas.

    Limpar os cantos dos olhos com gaze ou pano macio é outro cuidado que se deve ter a cada duas semanas. Já a limpeza das orelhas deve ser semanal, mas apenas com uma bola de algodão úmida, pois cotonetes podem machucar a orelha do bengal. 

    Em comparação a outros gatos, o bengal tem maior propensão a sofrer de problemas de saúde, sendo os mais comuns: a displasia de quadril, a atrofia progressiva da retina, a luxação da patela e, nos filhotes até um ano, a neuropatia distal.